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Diário de uma Escritora PCD #2

  • Foto do escritor: Escritora Carols
    Escritora Carols
  • 14 de out. de 2025
  • 2 min de leitura

A primeira personagem com deficiência que criei e o que ela dizia sobre mim


Quando escrevi Nina, a irmã mais nova de Nicole em Reino Silencioso, eu não fazia ideia de que ela carregava mais de mim do que qualquer outra personagem.

Ela foi minha primeira personagem com deficiência. E, ironicamente, apareceu só uma vez no livro.


Na época, eu tinha 13 anos. E essa ausência dizia mais do que qualquer fala dela.


A menina da cadeira de rodas


Na escola, eu era conhecida. Todo mundo me conhecia.Não pelo que eu dizia, escrevia ou sonhava — mas porque eu era a menina da cadeira de rodas. A única da escola inteira.

No início, isso até me fazia sentir parte de algo. Meus colegas se revezavam para me ajudar a subir e descer a rampa — uma escala que os professores criaram para me incluir. Mas o tempo passou, e as escalas acabaram.

De repente, a sala ficou menor, os grupos se formaram, e eu fiquei com três amigas (uma delas, minha irmã gêmea). Éramos o grupo que sofria bullying. Eu ouvia que era “estranha” e “feia” tantas vezes que comecei a acreditar.


Aos 13 anos, eu já amava criar histórias. Mas, sem perceber, achava que personagens como eu não podiam ser protagonistas.


As protagonistas dos meus livros favoritos eram diferentes e meios deslocadas, mas nenhuma delas mancava. Nenhuma usava cadeira de rodas. Nenhuma precisava pedir ajuda pra subir uma rampa.


E se nem os livros mostravam alguém como eu… quem eu achava que era pra me ver assim?


A Nina que nasceu escondida


Então eu criei Nina.Uma menina silenciosa, protegida pela irmã, como eu era pela minha. Ela não tinha voz própria, nem espaço pra brilhar. Era quase um segredo.


Mas hoje eu percebo: Nina nasceu do lugar onde eu ainda me escondia. Ela era a faísca tímida da representatividade que eu ainda não sabia como assumir.


Do silêncio ao protagonismo


Levei anos pra escrever Marina, de Criação Assombrosa, foi um processo de cura. Se Nina nasceu das minhas dores escondidas, Marina nasceu da coragem de me ver com luz . E entender que personagens com deficiência não precisam ser coadjuvantes da própria história. Hoje, olho pra Nina com ternura. Ela ainda não teve sua história contada, mas eu prometo: vai ter. Porque toda voz silenciada um dia precisa ser ouvida no tempo certo (não é isso que Reino Silencioso nos ensina?).


E talvez seja isso que Reino Silencioso e Criação Assombrosa têm em comum:ambos nasceram do mesmo desejo: transformar a dor em propósito, e o silêncio em palavra.


Com carinho,

Carol 🖋️

Autora de Reino Silencioso & Criação Assombrosa

(Spoiler: tem propósito até nas ausências)

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